Secretaria Municipal de Educação

Rede Municipal de Ensino vivencia mais um Concurso de Produções Artísticas Terra da Liberdade

Para relembrar uma história que não deve mais se repetir e celebrar a resistência e a liberdade, Benevides luta diariamente por meio da educação para fortalecer a identidade do povo oferecendo uma educação de qualidade que liberta e transforma pessoas na sua totalidade.

31/03/2025 15h17 - Atualizada em 01/04/2025 08h44
Secom

A Secretaria Municipal de Educação (SEMED), em parceria com o Centro de Formação e Pesquisa de Benevides, promoveu o III Concurso de Produções Artísticas Terra da Liberdade, com o tema: Em Benevides, Terra da Liberdade, Educação e Arte libertam e transformam todos os dias.

Benevides, na época conhecida como colônia Nossa Senhora do Carmo, foi o primeiro município da Amazônia e o segundo do Brasil a libertar os escravizados, quatro anos antes da assinatura da Lei Áurea, em 30 de março de 1884.

Para relembrar uma história que não deve mais se repetir e celebrar a resistência e a liberdade, Benevides luta diariamente por meio da educação para fortalecer a identidade do povo oferecendo uma educação de qualidade que liberta e transforma pessoas na sua totalidade.


Com o objetivo de estimular a criatividade e gerar uma reflexão sobre a importância da educação antirracista nas escolas, os alunos produziram telas e poesias autorais que retratam a liberdade.

A produção das obras perpassou pela Educação Infantil, Ensino Fundamental I e II, e Educação de Jovens e Adultos (EJA) concorrendo em diferentes categorias, como pintura e poesia.  Os alunos em uma semana se dedicaram em compor com palavras e desenhos o que representa de acordo com a imaginação deles a alegria de sentir a liberdade depois de um longo episódio de dores, sofrimentos e submissão. 

"Eu gostei de muito de ter participado desse concurso, foi muito legal. Eu imaginei e desenhei como que seria essas pessoas livres na nossa cidade", contou um aluno. 

O espetáculo no Ginásio Nagibão contou com várias apresentações com danças e ritmos culturais afro-brasileiras, como o espetáculo “Quitéria”, coordenado pelo Núcleo Cultural da (SEMED), que conta a história de uma das pessoas que foram libertas. 


Além de um desfile que apresentou a beleza negra das crianças que estão na fase da primeira infância, contribuindo na garantia do pleno desenvolvimento delas em suas potencialidades. 

O evento foi contemplado pela Prefeita Municipal, Luziane Solon, Secretária de Educação, Profa. Franci Sodré, Coordenadora da Primeira Infância, Kelly Calderaro, vereadores representantes do Poder Legislativo, e comunidade escolar. 

"O evento está muito lindo e importante pra gente sempre lembrar da nossa história, nossas crianças precisam saber da nossa história e elas precisam contar essa história para outras pessoas, de um passado que não se deve mais repetir e a liberdade deve ser sempre celebrada todos dias com muito respeito e respeito a todas as pessoas", disse Luziane Solon, Prefeita de Benevides. 

Aprecie a composição poética da aluna Jhenny Keller, 13 anos, da EMEF Rafael Fernandes Gomes, uma das vencedoras do III Concurso de Produções Artísticas:

[Eu não consigo me lembrar, pois não vivi, mas posso imaginar e sentir pelas histórias que ouvi. História do meu antepassado preto, que nasceu, viveu e sofreu por aqui. Esse é um tempo que não volta mais, graças à Visconde de Maracaju, que com sua caneta bonita usou sua caligrafia para assinar as primeiras alforrias, para que eu pudesse estar aqui.

O segundo do país a abolir a escravidão, e quase o primeiro na melhor educação, continuamos como resistência ao sistema, não da escravidão, mas da miscigenação, que a minha geração preta e as que mais virão têm de carregar.

O som da liberdade hoje recua pelos corredores sem fim, como as pedras de ferro que passaram por aqui. O monumento com o pássaro voando, ecoando a liberdade conquistada.

Eu termino aqui essa história contada, iniciando uma nova jornada, nessa terra tão amada e por mim aclamada, como a Benevides emancipada.]



Confira também a produção do texto poético da aluna Eliane Pereira, da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da EMEIF Profa. Didi, uma das premiadas. 

[Em terra Benevidense, perante a nação, assinou a alforria em sua mão, seis nomes ecoam a história cruel. Benevides, terra amada, onde a história foi plantada, nos braços fortes de onde havia escravidão, mudaste a história, tornou-se paixão. Tua bravura é chama que não se apaga, herança nobre que o tempo embala.

No seio do Pará, foste pioneira, trouxeste a vitória. No 30 de março, ao romper da aurora, deixaste confiança a quem queria esperança, já havia ido embora.

Benfica teu braço, tua vila hospitaleira, deixaste a liberdade, brilhar verdadeira, que logo bem cedo partiu de Belém, Visconde foi firme e além, seguiu decidido para mostrar seu legado, para enfim libertar o irmão acorrentado.

 Em terra benevidense, perante a nação, assinou a alforria em sua mão, seis nomes ecoaram essa história cruel: Matário, Quitéria, Florença, Maurício Fiel, Gonçalo e Luiz, filhos do chão, romperam as correntes e ergueram a mão. Antes da Lei Áurea chegar, Benevides já soube o que é libertar.

No Pará foi o primeiro a se erguer e no Brasil o segundo a vencer. Negros e indígenas com alta bravura tornou-se para nós tão importante figura. Na verdade da floresta, no azul do céu brilhou sua história descrita no papel.] 

Os alunos foram condecorados com brinquedos e equipamentos tecnológicos. 

Benevides se encontra em 1º lugar em educação pública de qualidade no Estado do Pará, pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) de 2023, despontando no fundamental I com 6,5 e no fundamental com 5,6, e foi reconhecido com o Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização, pelo Ministério da Educação, pelo empenho de Benevides em garantir o direito à alfabetização das crianças na idade certa, até os 7 anos de idade.

Benevides, Cidade das Crianças.