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Conhecendo o território Santo Amaro pelos olhos de suas crianças

Pelo rio, sob o sol, as crianças chegam ao local para, juntas, viverem um dia de alegria, partilha, descobertas e conhecimento

29/09/2026 15h27 - Atualizada em 29/09/2026 15h44
Secom

Servidores da Educação, por meio do Grupo de Trabalho (GT) de Educação Socioambiental, realizaram, na manhã desta segunda-feira, uma vivência com as crianças da Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental Maria Amélia, do Distrito de Taiassuí, que residem na comunidade Santo Amaro.

Pelo rio, sob o sol, as crianças chegam ao local para, juntas, viverem um dia de alegria, partilha, descobertas e conhecimento.

Como as crianças de Santo Amaro se relacionam com seu território? Essa foi a pergunta que norteou e conduziu o encontro entre educadores, alunos e pais, que, além de participarem das atividades, compartilharam com seus filhos esse momento de escuta, descoberta, troca de experiências e aprendizagem.

“é um momento muito especial, porque eu vejo que meus filhos estão participando com os coleguinhas e se comunicando, e também realizando atividades, aprendendo a colar, e está sendo um momento muito importante ver que para ele tudo é muito divertido, e que ele está gostando bastante. É muito prazeroso ver isso acontecendo aqui” disse Taíssa Oliveira, mãe de Danilo Oliveira, de 4 anos e de Thaylla Oliveira, de 6 anos.

Para as crianças, o território não é apenas o lugar onde residem. Ao caminhar, observar, escutar e conversar, é possível perceber que, para elas, o lugar também representa suas memórias, identidade, pertencimento, afetos e conhecimentos. Tudo isso se revela em suas falas, gestos e expressões, conduzidos com criatividade, curiosidade e muitos saberes.

“Eu fico muito feliz de ver a minha filha interagindo com todos, aprendendo, ensinando, e passando o que ela sabe daqui, o que ela já aprendeu na nossa comunidade, e pode passar para as outras pessoas que não sabem, que estão conhecendo agora”, relatou Joana Paula da Silva, mãe da Ana Júlia da Silva Gomes, de 4 anos.

Por meio de dinâmicas e muita diversão, como caminhadas, expressão corporal, dança e atividades lúdicas, os alunos mostraram como percebem, sentem e conhecem a comunidade onde vivem. Frutos, plantas, paisagens e até mesmo as brincadeiras foram caminhos utilizados para contar histórias, compartilhar experiências e retratar as diferentes formas de vivenciar o território.

Entre tantas apresentações e falas, quem participou da vivência teve o privilégio de ouvir as crianças falarem e mostrarem a casa que, segundo elas, seria da Matinta Pereira, personagem presente no imaginário e no folclore amazônico. A história, contada a partir do olhar infantil, trouxe ainda mais significado ao momento de valorização da cultura e dos saberes locais.

“Eu brinquei e falei da casa da Matinta Pereira”, contou a pequena Ayra Eloah Faro.

Mais do que apresentar um lugar, as crianças mostraram o território a partir de suas próprias experiências e vivências. Demonstraram que seus olhares são carregados de conhecimentos, memórias e percepções sobre o espaço onde vivem.

“Este é um momento de satisfação e descoberta. Embora eu resida em Benevides há 25 anos, esta é a segunda vez que visito este lugar, o que torna a experiência ainda mais especial. É gratificante constatar que aqui há uma comunidade tão potente, com tamanha riqueza cultural e natural. Presenciar o envolvimento das crianças com o seu território é extremamente valioso. Estamos realizando uma imersão profunda, buscando compreender a região sob a ótica daqueles que nela habitam. Reconhecê-los como protagonistas e protetores do meio ambiente é fundamental, pois, ao crescerem com essa consciência preservacionista, eles asseguram a continuidade e a valorização das riquezas que possuem”, disse o Professor de Ciências, Nilson Cortinhas.

A vivência reforçou, ainda, a importância de garantir às crianças espaços de escuta e participação. Quando é dada a elas a oportunidade de falar, observar, criar e compartilhar o que sabem, elas também se tornam protagonistas na construção e na transmissão de conhecimentos, ensinando a todos a enxergar o território por meio de seus próprios olhos.