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Professores da RME de Benevides recebem formações voltadas para as salas multifuncionais

A proposta parte do princípio de que aprender também significa colocar a mão na massa: imaginar, criar, testar, modificar, solucionar problemas e compartilhar descobertas.

28/09/2026 11h12 - Atualizada em 29/09/2026 14h23
Secom

Nesta última semana, uma sequência de encontros pedagógicos reuniu professores de diferentes etapas da Educação Básica da Rede Municipal de Ensino (RME) de Benevides. As formações contemplaram desde a Educação Infantil, com docentes das turmas de Pré I e II, passando pelos professores do Fundamental I das Escolas em Tempo Integral (EMTEMPO), até o Fundamental II. Em comum, os encontros tiveram um objetivo: fortalecer a Cultura Maker nas escolas, por meio do uso das salas multifuncionais e dos materiais estruturados.

As formações foram coordenadas pela coordenação do Núcleo de Formação e Pesquisa da Secretaria Municipal de Educação (SEMED) de Benevides e ministradas pelos Formadores Professores Ana Camara, Karoline Araujo, Juan Santos e Weslley Alves. Ao longo dos encontros, foram apresentados os materiais didáticos Espiral e desenvolvidas dinâmicas lúdicas e práticas que estimularam os participantes a experimentar diferentes possibilidades de criação.

As atividades envolveram a produção de elementos relacionados à robótica, ao teatro, à música e à literatura, demonstrando que a Cultura Maker vai muito além do uso de equipamentos tecnológicos. A proposta parte do princípio de que aprender também significa colocar a mão na massa: imaginar, criar, testar, modificar, solucionar problemas e compartilhar descobertas.

"Participar de uma formação Maker é muito importante porque amplia o nosso olhar sobre as possibilidades de aprendizagem na Educação Infantil. Ela nos mostra que a criança aprende quando tem a oportunidade de experimentar, criar, imaginar, construir e buscar diferentes soluções. E uma coisa muito importante que essa formação nos trouxe foi perceber que as nossas professoras já desenvolvem muitas práticas com essa perspectiva Maker, mesmo antes de conhecerem esse conceito. Quando elas oferecem materiais diversos, propõem experiências, incentivam as crianças a criar, construir, explorar e encontrar suas próprias soluções, já estão fazendo cultura Maker na Educação Infantil. De certa forma, descobrimos que nossas professoras já são professoras Maker. O trabalho dos formadores vem para ampliar e fortalecer aquilo que já acontece na nossa prática, trazendo novos conhecimentos, possibilidades e intencionalidade pedagógica. Essa formação também ajuda a olhar para essas experiências com mais clareza e a incentivar ainda mais propostas em que a criança seja protagonista, curiosa e investigadora", disse Aline Dias, Coordenadora Pedagógica do CMEI Florescer.

Nesse sentido, as salas multifuncionais se apresentam como espaços de experimentação e aprendizagem, nos quais diferentes linguagens podem dialogar. Uma atividade de robótica pode mobilizar conhecimentos de matemática e tecnologia; uma produção teatral pode trabalhar expressão corporal, comunicação e criatividade; a música pode explorar ritmo, percepção e composição; enquanto a literatura pode estimular imaginação, leitura, escrita e construção de narrativas.

A perspectiva maker também desloca o estudante de uma posição exclusivamente receptiva para uma participação mais ativa no processo de aprendizagem. O professor, por sua vez, atua como mediador, criando situações para que os alunos possam investigar, levantar hipóteses, experimentar possibilidades e construir soluções.

Essa perspectiva fortalece o jargão “Cultura Maker é punk”. A expressão, cujas raízes relembram um dos pilares do movimento Punk, traduz uma postura de criação e experimentação: fazer com as próprias mãos, questionar modelos prontos, transformar materiais e ideias e aprender também com as tentativas que não dão certo de primeira. No ambiente escolar, essa atitude pode contribuir para o desenvolvimento da autonomia, da criatividade, da colaboração e da capacidade de resolver problemas.

Para os profissionais da RME de Benevides, as formações representam ainda uma oportunidade de vivenciar, enquanto aprendizes, as mesmas experiências que poderão proporcionar aos estudantes. Ao experimentar os materiais e participar das atividades, os professores ampliam seu repertório de estratégias pedagógicas e conhecem novas possibilidades para utilizar os espaços e recursos disponíveis nas escolas.