Gabinete da Prefeita

O GRITO DE LIBERDADE QUE ECOA: Evento confronta o passado para honrar a história do povo negro com exposição promovida pela Secretaria de Cultura

Exposição revela acervo inédito com peças de antigos engenhos e reconstitui a trajetória de Família Dax e do povo negro em Benevides 

25/03/2026 16h32 - Atualizada em 25/03/2026 20h39
Secom

Benevides não apenas olha para o passado, mas o encara de frente com a autoridade do povo negro que foi protagonista na conquista da própria liberdade. No mês em que se recorda o pioneirismo do município - o primeiro da Amazônia a romper os grilhões da escravidão em 1884 -, a cidade promove um confronto necessário com a dura verdade histórica. 

Durante o “Festival da Liberdade 2026”, a exposição "Família Dax: 155 Anos de História e a Libertação em Benevides" assume o papel de um manifesto visual, utilizando vestígios de um período de dor para reafirmar o valor inestimável do povo negro e da sua luta contra a escravidão para que este episódio jamais se repita na história da humanidade.

Para o Secretário Municipal de Cultura de Benevides, Jefferson Bruno, a iniciativa é um pilar fundamental para a compreensão da identidade local. 

"Esta exposição possui 155 anos com peças que retratam a importância histórica do período da escravatura no Brasil. É um registro que nos permite entender de onde viemos para valorizarmos a liberdade que hoje sustenta nossa sociedade", afirmou o gestor, contextualizando a mostra que será aberta ao público no dia 30 de março, às 19h, na Praça do Saber.

A Força de Firmina e a verdade sobre os antigos engenhos de Benevides

O acervo, preservado por Carlos Vidal Dax, em Bituba, expõe objetos que jamais deverão ser utilizados novamente, como correntes, bolas de ferro e trilhos do século XIX, mas que hoje servem como prova da resiliência de quem sobreviveu ao sistema de engenhos da antiga Colônia do Carmo. 

"Essas peças nos remetem a um passado que não podemos apagar, mas que precisamos reconstruir através da verdade. Elas são o testemunho de uma época que Benevides decidiu deixar para trás antes de todo o resto do país", explicou o professor de história e organizador da mostra, Paulo Lins Dax.

Segundo o historiador responsável pela exposição, a narrativa central da exposição é a vida de Firmina Dax. Em 1871, ela era uma das pessoas escravizadas nas terras adquiridas por um imigrante alemão. Sua trajetória, contudo, é de superação e conquista Segundo o historiador, Firmina tornou-se uma das primeiras mulheres negras libertas em Benevides em 1884, quatro anos antes da Lei Áurea. Ela não é apenas um nome em um documento, mas a raiz de uma luta histórica que hoje reivindica seu lugar de fala e sua autoridade histórica.

Educação para a dignidade e o respeito

A titularidade desta história é coletiva. Para os descendentes, como Paulo Lins Dax, buscar essa identidade é um dever com a ancestralidade. O projeto vai além da contemplação e busca a aplicação rigorosa da Lei 10.639, garantindo que o ensino da cultura afro-brasileira seja um pilar nas escolas municipais. 

"Nós somos a Família Dax. Sou um contribuinte para trazer à luz o que foi silenciado. Queremos buscar essa identidade que é nossa, de quem mora aqui, e dar o devido destaque ao povo negro que construiu esta terra com suor e coragem", pontuou o historiador, que divide o reconhecimento do projeto com seu primo, Carlos Vidal Dax.